A luta que o esporte tem que apoiar

No último final de semana, aqui no Rio de Janeiro, um caso de assédio deu o que falar. A repórter Bruna Dealtry, do Esporte Interativo, foi beijada na boca por um torcedor durante uma transmissão ao vivo.

Após o ocorrido, inúmeras profissionais da imprensa se manifestaram e a hashtag #Deixaelatrabalhar ficou em primeiro lugar nas redes sociais. Em meio a tantos protestos, outras vozes também surgiram. Esportistas aproveitaram a ocasião e falaram sobre o comportamento, que há muito permeia o mundo dos esportes.

Um exemplo recente e concreto de abuso sexual foi amplamente transmitido pela mídia mundial. Nos E.U.A., o médico Larry Nassar foi condenado a 360 anos de prisão por assediar centenas de jovens ginastas, inclusive campeãs olímpicas.

Mas não precisamos ir tão longe, muitos relatos também ficaram marcados no Brasil. Quem não se lembra do caso da nadadora Joana Maranhão? Outros episódios também engrossaram esse coro, como os episódios com a medalhista olímpica de vôlei de praia Bárbara Seixas e da lutadora Aline Silva.

No final do ano passado, dando ouvidos aos próprios atletas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) apresentou um manual de cerca de 200 páginas que rege a proteção aos esportistas contra casos de abuso. O manual fornece soluções e orientações para organizações esportivas com base em experiências e na expertise de todos no mundo. Mas isso, por si só, não basta!

O abuso sexual é um problema global e não está limitado à raça, cultura ou classe social. Conforme dados do Ministério da Saúde, o abuso sexual é considerado o segundo crime mais denunciado entre 0 a 9 anos de idade e os abusadores são pessoas em que as vítimas confiam, como os pais, padrastos e, no campo do esporte, os treinadores.

O assunto é muito mais grave se pensarmos que, por medo, vergonha, falta de apoio ou pressão, muitas vítimas nunca denunciaram os abusos sofridos. No campo judicial, o avanço ficou por conta da sanção da lei de 2012 que diz que o tempo de prescrição do crime de abuso sexual conta a partir dos 18 anos da vítima. A lei ficou conhecida como Joanna Maranhão, em homenagem à nadadora que, quando tornou sua história pública, estava com 21 anos e o caso já havia prescrito. O treinador acusado decidiu processar a nadadora e a mãe dela por difamação e calúnia.

O abuso pode começar com um simples assédio, dói, traumatiza e precisa ser veementemente condenado pela sociedade. Não apenas no meio do esporte, mas em todas as situações é necessário coragem para pedir ajuda. O primeiro passo é o da denúncia e ele precisa ser incentivado.

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