Fake-news : Campanha deste ano será marcada por distribuição de informações sem fundamento pela internet

Com o slogan ‘Em defesa da família’, Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais em 2002, aparece como candidata a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Já outra montagem mostra a cantora Pabllo Vittar sendo homenageada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM). Ambas as publicações são falsas, mas ganharam milhares de compartilhamentos e críticas negativas em grupos conservadores, como os que defendem a volta da Ditadura. O que essas notícias têm em comum? São chamadas de fake news, que se intensificam em períodos eleitorais.
“O termo diz respeito a sites e blogs que publicam intencionalmente notícias falsas ou simplesmente manipuladas, com a intenção de ajudar ou combater algum alvo, normalmente político”, explica Luciano Pires, especialista em internet. Na sua web rádio, Café Brasil, ele faz sucesso discutindo assuntos diversos e divulgando o que chama de ‘Teoria das Quatro Rês’. Nela, ensina filtros para identificar as fake news: “Informações sem relevância, distribuídas por gente sem responsabilidade, recebidas sem reserva, ganham grande ressonância”, afirma. E completa: “A fake news é uma notícia que não é totalmente mentirosa. É uma informação com pontos de verdade que deixam você confuso. O melhor combate é ter senso crítico e não compartilhar sem checar”.

Notícias falsas circulam 70% mais do que as verdadeiras na internet, diz pesquisa
Segundo um profissional de comunicação de marketing digital de campanhas, que pediu para não ser identificado, haverá uma explosão de fake news na véspera da próxima eleição. “O momento agora é de construção de sites falsos, onde vão ser plantadas essas notícias. A partir dessas plataformas, elas serão distribuídas para o Facebook, inclusive de forma paga, ou pelo Whatsapp”, explicou.

Os ‘robôs’ ajudam nessa tarefa. são programas que realizam postagens automáticas nas redes sociais e elevam a temperatura de um assunto, condicionando as pessoas a debaterem a respeito. Na China, por exemplo, já foi descoberta uma ‘Fazenda de Cliques’, onde uma pessoa conseguia controlar dezenas de celulares de uma só vez. Assim, um único clique feito em uma publicação se multiplicava.

O professor da Fundação Getúlio Vargas Amaro Grassi estuda o comportamento das redes sociais em campanhas políticas. Com sua equipe, desenvolveu uma metodologia que apontou a forte presença dos robôs em período eleitoral e, com isso, a polarização das discussões políticas. “Para se ter uma ideia, durante o julgamento do Lula, concluímos que 10% das interações nas redes sociais eram feitas por robôs”, disse. “Em alguns casos, uma posicionamento aparecia em 100 perfis diferentes do Twitter, com os mesmos erros de português. São perfis falsos, controlados por robôs”, disse.

Risoletta Miranda, diretora de Mídias Digitais da agência de comunicação FSB afirma que as fake news podem acabar com a reputação de um candidato e, com isso, influenciar decisivamente a intenção de voto. “A tecnologia faz com que a notícia falsa se propague de maneira exponencial. É muito danoso para a reputação. É essencial se combater as fake news”. Para isso, ela aconselha os políticos a criar em suas páginas pessoais um espaço somente para desmentir as notícias falsas

Notícias falsas viralizam mais que as verdadeiras

As informações falsas têm 70% mais chances de viralizar que as notícias verdadeiras e alcançam muito mais gente, de acordo com cientistas do Instituto de Tecnologia de Masachussetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. A pesquisa foi publicada na quinta-feira, na revista Science.

Os cientistas analisaram todas as postagens que foram verificadas por seis agências independentes de checagem de fatos e que foram disseminadas no Twitter desde 2006, quando a rede social foi lançada, até 2017. Foram mais de 126 mil postagens replicadas por cerca de 3 milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, as informações falsas ganham espaço na internet de forma mais rápida, mais profunda e com mais abrangência que as informações verdadeiras. Cada postagem verdadeira atinge, em média, mil pessoas, enquanto as postagens falsas mais populares aquelas que estão entre o 1% mais replicado atingem de mil a 100 mil pessoas.

“As conclusões do nosso estudo podem ser extrapoladas para qualquer outro país, incluindo o Brasil. O estudo teve foco nos Estados Unidos e nós estudamos as postagens feitas em inglês no Twitter em todo o mundo que passaram pela verificação de agências de checagem de fatos. No entanto, os padrões de disseminação das informações falsas que detectamos foram os mesmos em diversos países de língua inglesa e certamente se aplicam a postagens em outras línguas também”,disse o autor principal do estudo, Sinan Aral, pesquisador do MIT.

*Com Agência Estado

TSE vai monitorar redes para identificar mentiras

Em fevereiro, ao assumir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luiz Fux disse que pretende deixar sua marca no combate às fake news. Para isso, montou um grupo de trabalho no tribunal para discutir medidas de combate às informações falsas que são veiculadas nas redes sociais: WhatsApp, Facebook, YouTube e Twitter. O bloqueio de bens e a detenção dos envolvidos não estão descartados.

“Atualmente, não há uma legislação específica para fake news no Brasil, mas elas podem ser classificadas como crimes contra a honra, difamação e injúria”, afirmou um investigador da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. No entanto, o TSE quer uma legislação mais rígida para grupos que tentam manipular a opinião pública com notícias falsos no processo eleitoral.

O grupo formado pelo TSE quer estabelecer um protocolo e deverá apresentar também uma proposta de alteração que modernize a legislação.

As fake news foram decisivas na eleição que levou Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Por conta disso, várias investigações foram abertas. Recentemente, uma delas atestou a influência da Rússia na criação de notícias que favoreceram Trump.

Cinco representantes da Polícia Federal americana, que auxiliou nas investigações, vieram ao Brasil para fazer uma exposição no TSE e na Polícia Federal sobre o combate às fake news nos EUA. O intuito é tentar inibir a divulgação de notícias falsas durante a eleição brasileira.

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